Vou fazer um interlúdio entre a minha última postagem e a próxima (ainda esta semana, aguardem) pra divulgar e comentar sobre outro blog que eu escrevo, o Betto Lins: Música e Poemas. O blog fala sobre o cantor e compositor Betto Lins, um dos novos nomes da música cearense, e traz informações sobre seus shows, vídeos e músicas.
Abaixo segue o banner de seu novo show, Sonoridade Brasileira, dia 20 de maio, as 12h (meio-dia), no SESC Centro, em Fortaleza.
Inverno da Alma não é o primeiro filme a mostrar um lado mais soturno e hostil dos Estados Unidos, nem o primeiro a retratar comunidades pobres, fechadas e com uma noção deturpada de sangue e honra. Mas a diretora Debra Granik cria aqui um universo que assusta e encanta, que serve como pano de fundo e também personagem para o desenrolar do filme. Indicado a 4 Oscar (incluindo Melhor Filme), o longa estreou no Brasil no final de janeiro, e só agora chegou a Fortaleza, em cartaz no Cinema de Arte, no Iguatemi. O que me faz pensar que se este filme não tivesse as indicações, nem ganhado renome em diversos festivais de cinema, talvez nem chegasse aos nossos cinemas.
A adolescente Ree (Jennifer Lawrence) é a protagonista deste drama com toques de suspense. Com apenas 17 anos, ela tem que cuidar da mãe doente, dos dois irmãos mais novos, além de ter um pai ausente (preso por “cozinhar” drogas). Se isso já não fosse o suficiente para tirar-lhe alguns sonhos (como o de seguir a carreira militar), a situação pioraquando um policial a informa que seu pai saiu da cadeia, e caso ele não se apresente em um tribunal, ela perderá a casa.
Começa então a jornada em busca do pai, busca essa que revelará um mundo frio, silencioso e brutal. E cada vez mais que Ree adentra nesse mundo, mais a história vai ganhando contornos cruéis, e a jovem entra em uma teia de segredos e violência da qual pode não mais voltar. Os moradores da região tem algum grau de parentesco com ela, mas isso pouco a ajuda, pois a linguagem do crime fala mais alto. Recepções e falas rudes são comuns, e ela não tarda a compreender. A trama vai se desenrolando sem pressa, e os personagens coadjuvantes vão se integrando no quebra-cabeças até a resolução do mistério, culminando num clímax cru e angustiante no lago.
O filme foi o vencedor do Festival de Sundance, além de ter arrebatado outros prêmios em demais festivais (de Berlim e Seattle), onde a diretora e atriz também foram premiadas. E são delas os maiores méritos do filme. Jennifer ora precisa fazer uma Ree valente e adulta, que ensina até mesmo seus irmãos mais novos a usar armas e caçar, ora tem que ser apenas uma garotinha que pede ajuda a mãe por não saber mais o que fazer. Vale destacar também as atuações de John Hawkes (que vive o violento tio de Ree) e Dale Dickey, uma espécie de “vilã”.
Talvez Inverno da Alma seja um filme frio e pesado demais (algumas pessoas saíram da sala do cinema antes do final), mas é justamente essa veia realista, densa e quase sem esperança, que o torna tão poderoso.
Dia 13 de abril até pode ter sido um dia comum para muitos fortalezenses, mas para os que foram a Praia de Iracema conferir o show de Daniela Mercury, viram uma apresentação insólita e cheia de grandes momentos. A Rainha do Axé era a principal atração da comemoração dos 285 anos de Fortaleza, que contou também com apresentações de artistas locais, repentes, oficinas e gincanas nos mais diversos pontos da cidade.
Este andejante que vos dirige chegou (acompanhado de seus comparsas) a Praia de Iracema quase as dez da noite, sabendo que o show iria atrasar (começou as 22h:40min). Milagrosamente encontramos um bom lugar para ver o show, apesar dos inúmeros passantes, vendedores de cerveja e refrigerante e raras figuras sinistras, que nos faziam ter cuidado com nossos bolsos. Não esquecemos, é claro, de torcer para não cair nenhuma chuva (e fomos atendidos).
Daniela trouxe a cidade do sol seu show Canibália, que dá nome a seu último disco. E eu como bom ouvinte, já tinha conferido as músicas do disco em questão. Apesar de na primeira audição ser difícil imaginar um show que mescle suas novas investidas musicais junto de hinos como “O Canto da Cidade” e “Rapunzel”, é uma impressão que passa logo no início do show.
De canções de seu novo disco, como “Preta”, no qual fez uma homenagem a Dona Ivone Lara, a hits antigos como “Ilê Pérola Negra”, no qual discursou sobre a libertação dos escravos, passando por reggaes, sambas, axés e até forró (num dos momentos mais inspirados da noite), Daniela é um misto de emoções e ritmos, capaz de animar até mesmo os descontentes (talvez com razão) com a gestão da prefeita Luizianne Lins.
Detentora de um vigor invejável, capaz de dançar e cantar ao mesmo tempo sem perder o fôlego, Daniela conduziu o show com pleno controle sobre a apresentação, abrindo espaço também para que seus dançarinos e sua competente vocal de apoio pudessem brilhar.
Embora musicalmente já tenha transcendido o gênero axé, Daniela não perdeu o trono (talvez tenha até reforçado). E na comemoração de mais um ano de Fortaleza, ela foi o canto de nossa cidade.
Bom, antes de tudo vou gastar alguns minutos para explicar o meu blog. Não que um precise de explicação, mas quero aqui justificar algumas expectativas. Espero não ser muito verborrágico. Sou jornalista por formação e vocação, e já há algum tempo sentia a necessidade de ter um lugar para me expressar. Do meu jeito, minhas regras, meu universo.
Considere este blog o meu jornal pessoal. Aqui terá notícias, reportagens, entrevistas, artigos, resenhas, e qualquer modalidade jornalística (ou não) que você possa imaginar. Pensando bem, crônicas serão raras, mas assim como serei repórter, articulista e editor deste jornal, também serei o dono. E se alguém acha que os jornais de hoje são movidos a interesses econômicos alheios, "O Andejante" será movido a meus interesses. Algumas vezes escreverei com ditames formais, em outras, de maneira mais coloquial. Vai depender mais do assunto em pauta do que do meu humor, acredite.
Ah, e antes que eu esqueça em meio a este prefácio nada jornalístico, o nome Andejante. É uma palavra inventada, remetendo a outras como andarilho, andantino e andejar. Tem um pouco a ver com o espírito do blog. Algo andante, móvel, mutável e transgressor.