Inverno da Alma não é o primeiro filme a mostrar um lado mais soturno e hostil dos Estados Unidos, nem o primeiro a retratar comunidades pobres, fechadas e com uma noção deturpada de sangue e honra. Mas a diretora Debra Granik cria aqui um universo que assusta e encanta, que serve como pano de fundo e também personagem para o desenrolar do filme. Indicado a 4 Oscar (incluindo Melhor Filme), o longa estreou no Brasil no final de janeiro, e só agora chegou a Fortaleza, em cartaz no Cinema de Arte, no Iguatemi. O que me faz pensar que se este filme não tivesse as indicações, nem ganhado renome em diversos festivais de cinema, talvez nem chegasse aos nossos cinemas.
A adolescente Ree (Jennifer Lawrence) é a protagonista deste drama com toques de suspense. Com apenas 17 anos, ela tem que cuidar da mãe doente, dos dois irmãos mais novos, além de ter um pai ausente (preso por “cozinhar” drogas). Se isso já não fosse o suficiente para tirar-lhe alguns sonhos (como o de seguir a carreira militar), a situação piora quando um policial a informa que seu pai saiu da cadeia, e caso ele não se apresente em um tribunal, ela perderá a casa.
Começa então a jornada em busca do pai, busca essa que revelará um mundo frio, silencioso e brutal. E cada vez mais que Ree adentra nesse mundo, mais a história vai ganhando contornos cruéis, e a jovem entra em uma teia de segredos e violência da qual pode não mais voltar. Os moradores da região tem algum grau de parentesco com ela, mas isso pouco a ajuda, pois a linguagem do crime fala mais alto. Recepções e falas rudes são comuns, e ela não tarda a compreender. A trama vai se desenrolando sem pressa, e os personagens coadjuvantes vão se integrando no quebra-cabeças até a resolução do mistério, culminando num clímax cru e angustiante no lago.
O filme foi o vencedor do Festival de Sundance, além de ter arrebatado outros prêmios em demais festivais (de Berlim e Seattle), onde a diretora e atriz também foram premiadas. E são delas os maiores méritos do filme. Jennifer ora precisa fazer uma Ree valente e adulta, que ensina até mesmo seus irmãos mais novos a usar armas e caçar, ora tem que ser apenas uma garotinha que pede ajuda a mãe por não saber mais o que fazer. Vale destacar também as atuações de John Hawkes (que vive o violento tio de Ree) e Dale Dickey, uma espécie de “vilã”.
Talvez Inverno da Alma seja um filme frio e pesado demais (algumas pessoas saíram da sala do cinema antes do final), mas é justamente essa veia realista, densa e quase sem esperança, que o torna tão poderoso.



Azar dos que saíram antes. Filmaço, com excelentes interpretações e uma diretora forte, de mão firme! Recomendadíssimo. Melhor que "O Discurso do Rei" e congêneres.
ResponderExcluirJah quero ver..Os que saíram antes do final são uns idiotas. ¬¬
ResponderExcluirEsses tempos não me permitem estômago para algo assim... Mas assistirei. Darei meu jeito.
ResponderExcluirGostei do blog, e da indicação de filme, gosto de filmes tristes...
ResponderExcluirVou assistir sim!